sexta-feira, 4 de setembro de 2020

MONSERRATE-Jardins Históricos -Sintra

Parque de Monserrate

Foi há sete anos que visitámos o Parque e o Palácio de Monserrate pela primeira vez .

Como a nossa memória é uma máquina de viajar no tempo, é muito bom reviver esse passeio.
Hoje não seria possível fazê-lo da mesma forma. 
Tudo mudou, em nós e num mundo que julgávamos minimamente estável e seguro.
Vivemos outra realidade mas é bom recordar momentos em que fomos tão felizes e sabíamos disso!
Por isso os aproveitámos bem.

A visita foi feita, com um grupo de amigos, em pleno Verão de 2013.
Começou na zona de merendas (que fica em frente do portão do parque) onde fizemos um delicioso piquenique! 

Nos dias de hoje já não poderíamos, se calhar, nem sequer usar a zona de merendas!

Este belo parque que integra  uma vasta e maravilhosa colecção de milhares de plantas (algumas agrupadas em vários jardins), lagos, cascatas, ruínas fingidas...
Até chegar ao palácio lá bem no alto da colina, há um mundo verde para  descobrir e contemplar...
Em cada estação do ano, o parque transforma-se e merece uma visita.
Temos a certeza de que se lá voltarmos haverá muito mais para descobrir.

Foi este o nosso percurso que demorou várias horas.
Arco de Vathek
Arco em pedra atribuído a William Beckford, cuja designação remete para o nome do personagem principal do seu famoso romance, Vathek.






Cascata de Beckford
Cascata artificial atribuída a William Beckford.

Hipocrene
Lago com a designação de uma fonte lendária da Grécia Antiga.



Vale dos Fetos
Notável coleção de fetos-arbóreos disposta num vale com singulares condições climáticas.













Capela 
Falsa ruína da autoria de Francis Cook, criada a partir da capela edificada por Gerard de Visme em substituição da antiga capela de Nossa Senhora de Monserrate.
Engolida pela vegetação, a ruína é já indissociável da árvore-da-borracha-australiana.
Aqui a pedra e a planta são uma só!













Ao longo do percurso pudemos maravilhar-nos com árvores centenárias, verdadeiras obras de arte da Natureza.



Lagos

Esta zona de grande beleza é formada por vários lagos com profundidades e temperaturas diferentes, criando condições para o desenvolvimento de uma colecção de plantas aquáticas exóticas.


















Desde o palácio até à margem do lago, estende-se um imenso relvado.

Este local proporcionou-nos bons momentos de descanso e contemplação.



Jardim do Japão
Coleção da qual se destacam os bambus e as camélias (que nesta altura não estavam em flor).


 Jardim do México
Área com cerca de 5 mil metros quadrados e 3.500 plantas de 11 famílias, é a zona mais quente e seca de Monserrate graças ao desvio da linha de água para a encosta. Reúne coleções de plantas de climas quentes onde se destacam palmeiras, yuccas,  agaves e cicas.















Roseiral

Coleção de variedades históricas de roseiras dispostas no vale.
Após restauro integral, em 2011,  foi inaugurado pelo Príncipe de Gales e a Duquesa da Cornualha.   
  







A nossa visita, por ser  no verão,  não foi a altura mais propícia para vermos as rosas.
 Mas outras plantas, como o acanto e as alcachofras  em flor, coloriam a encosta.





Relvado
Foi o primeiro relvado plantado em Portugal, apresentando uma extensão notável e uma superfície de dupla curvatura singular que exigiu um criativo sistema de rega.
Subir o relvado até ao palácio exigiu algum esforço para os dois maiores de sessenta.
Os restantes elementos do grupo, mais jovens, levaram menos tempo...


Todos chegámos a bom porto, neste caso ao belo palácio, só que com uma ligeira diferença de tempo!
O palácio combina influências góticas, indianas e sugestões mouriscas, bem como  motivos exóticos e vegetalistas que se prolongam harmoniosamente no exterior.




 Da visita ao palácio recordo:
Átrio principal 
A fonte de alabrastro, a estátua e a magnífica cúpula.






Uma exposição sobre a Biodiversidade do Parque, numa das salas do primeiro andar.

Sala de música
Fomos levados até lá pela música que ecoava pelo palácio. Sentada ao piano, numa bela sala , tocava uma artista cujo nome desconhecemos.

Biblioteca
Esta era a porta da biblioteca que não estava visitável...

Corredores ricamente ornamentados 

Cozinha


Antes de sair do palácio reparei na escultura original da Quimera (criatura mitológica que introduz a ideia de fantástico) 

Lembro-me melhor dos jardins do que  do interior do palácio...
As salas estavam desprovidas de mobiliário. 
Os corredores eram longos e muito ornamentados, destacando-se as colunas de mármore rosa.
Mas era preciso mais tempo para observar e reter tantos pormenores.
Os espaços exteriores à volta do palácio estavam bem cuidados.




Quem sabe se um dia voltaremos a este local  e criaremos outras e também felizes recordações...


As informações sobre o percurso foram recolhidas do folheto e mapa " Parque e Palácio de Monserrate" elaborado por  Parques de Sintra -Monte da Lua.


"O Parque e Palácio de Monserrate foram classificados como Imóvel de Interesse Público em 1975, integrando-se na Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade desde 1995."
As fotografias são de nossa autoria com excepção das que estão devidamene assinaladas.
R&M

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Mar

Tenho saudades do mar!



"Na neve mais pura escrevo
As saudades do meu mar:
Tenho saudades da areia
Branca de neve ao luar.



Tenho saudades do vento
Que sopra breve, indeciso,
Leve como um pensamento
Do céu azul, calmo e liso."
... ... ... ... 
Mar Impossível (Camané)


Mena


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Pandemia

Em tempo de pandemia

Passou quanto tempo desde o último post?
Já nem sei bem...
Já comecei e recomecei este várias vezes!
Os dias demoram a passar mas os meses passaram depressa!
Como o mundo mudou!
O tempo tem outro tempo de ser vivido.
Era absolutamente impensável o que está a acontecer e não me lembro que algum astrólogo, tarólogo ou outro lógolo, tenha previsto tal pandemia para o ano de 2020.
Parece que há um ou dois eleitos que falaram que um destes anos iria aparecer um  vírus que tal e tal...
Embora situações semelhantes já tenham acontecido na história da humanidade, ninguém estava preparado.
A espécie humana que sempre se julgou dona do planeta  e de determinar o seu destino e dos outros seres, debate-se  com o ataque de um organismo microscópico, um vírus que já infectou mais  dez milhões de pessoas e causou a morte de mais de meio milhão (quando comecei a escrever o post, no fim de junho eram estes os números)!
E nada aponta para que o fim esteja à vista.
É como se a Terra nos dissesse que pode bem continuar sem nós!
Mais uma espécie, menos uma, na história da Terra não fará diferença  e muito menos para o Universo...
Nem num filme de ficção este cenário dantesco foi previsto.
Num mundo tão desigual e divido sempre pensei o que nos iria unir em termos de espécie humana seria algo como  o aparecimento de uma nave especial cheia de extraterrestres com ideias mais ou menos invasivas! Largaria sobre o planeta um tipo de vírus que cirurgicamente mataria a maioria da espécie humana e deixaria intactas as estruturas produtivas e o resto dos seres vivos e recursos do planeta.
 Isto é a mistura de muitos filmes de ficção científica feitos nos últimos anos.
Mas o inimigo não veio de fora.
Já cá estava, esteve sempre (???) e silenciosamente, sem ninguém dar por isso (e os que sabiam, calaram-se) emergiu do mundo microscópico um vírus que se foi instalando sem deixar rasto visível  pois a morte por infecções respiratórias sempre aconteceu...
Só quando o número de infectados já era tão evidente que não se podia esconder a causa, se teve que anunciar ao mundo a sua existência e consequências nefastas para os humanos!



Ao princípio ninguém ligou muito.
Era uma doença que estava  acontecer numa zona localizada, longe, longe ...
Não chegaria à Europa, muito menos à América!
Mas a mobilidade da população  transportou o vírus pelo mundo.
Era uma doença que só iria matar os velhos e mais vulneráveis com outros problemas de saúde associados.
Como se fosse uma espécie de eutanásia microscópica e uma poupança de recursos nos sistemas que asseguram a  reforma dos velhos.
Alguns pensaram que ficariam os mais novos, saudáveis e os humanos iriam melhorar geneticamente em termos de raça!
Houve quem não se importasse com a VIDA e decidisse que quantos mais se contaminassem melhor!
Mas a maioria dos países europeus não pensou assim e os sistemas públicos de saúde sempre tentaram dar resposta a uma situação grave e inesperada e à população  foi dito para ficar em casa.
Foi assim, em Portugal,  parte de Março e  nos meses Abril e Maio.
Informações um pouco contraditórias, deve-se usar máscara, não se deve usar máscara... 
Também o que se sabia sobre o vírus era muito pouco!
As máscaras e o álcool praticamente desapareceram do mercado para voltarem pouco depois a preços muito mais elevados...
E nós ficámos em casa! 
Tivemos essa sorte.
Mas muitos tiveram que estar na linha da frente para tratar dos doentes, assegurar a alimentação, cuidados de saneamento...
E dizia-se que o vírus era democrático, não escolhia classes sociais, velhos ou novos, ricos ou pobres... Talvez seja um pouco verdade mas as desigualdades acentuaram-se entre os que passaram o confinamento  numa casa com 200 metros quadrados, piscina e jardim  e os que estavam engaiolados num bairro social, num apartamento com 50 metros quadrados, sem varandas, com 2 ou 3 janelas e várias pessoas a viverem amontoadas.
Milhares de vidas se perderam e a família nem se pôde despedir dos entes queridos.
Haverá  sempre um luto por fazer.

Dizia-se "Vamos ficar todos bem!" 


Claro que não vamos ficar todos bem!
Nada vai ficar igual e muitos vão ficar mal!
O mundo mudou, nós mudámos (será que mudámos?)
O mundo dos humanos abrandou  um pouco.
Na Terra, o ritmo de vida dos outros seres continuou.

As flores surgiram, os insectos polinizaram, cresceram frutos, surgiram sementes...



Os rios continuaram a correr para o mar (agora um pouco menos poluídos).


O sol "nasceu" e "pôs-se" todos os dias!



Mas o vírus expôs as fragilidades de milhões de pessoas e as desigualdades sociais  são ainda mais evidentes em todo o mundo.
Estamos em Agosto de 2020.
Centenas de milhares  já morreram e esse número continua a aumentar!
Já está muito perto de 20 milhões, o número de infectados!
Cada país tenta recomeçar a actividade económica mas o número de desempregados não pára de aumentar. 
Em Portugal estamos fortemente dependentes do turismo e das exportações, e a crise económica e social que se  adivinhava,  já se instalou  e alastra todos os dias.
A vida está a ser feita de pequenos avanços e muitos recuos.
Não podemos ficar à espera que "isto passe" para viver! 


O tempo não pára e nunca vamos recuperar o que deixarmos de viver!

Temos que viver este tempo de outra forma, com os cuidados necessários, por nós e pelos outros...






E manter a esperança  que 2021 vai ser diferente, vai ser melhor!



Mena

A primeira e a segunda  fotografias foram retiradas da net. Não sei quem são os autores. Se pretender que sejam retiradas é favor avisar pelo mail. Obrigada