sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Tralhas IV

 Listas telefónicas 

 plantas secas

Temos (quero dizer tenho, que eu é que sou a responsável por haver tanta tralha) no sótão cerca de quarenta listas telefónicas!

Para quê ?

Foram utilizadas para secar plantas silvestres e algumas de jardim que depois foram usadas para fazer quadros com as folhas e flores secas. Muitas listas telefónicas ainda têm lá plantas há mais de uma dezena de anos... 

Na falta duma prensa, cada lista levava um tijolo em cima para fazer peso. 


Entre os quadros que ofereci, os que ainda ali tenho encaixotados e os que estão colocados nas paredes, contam-se algumas dezenas! Tive sempre o cuidado de não colher plantas que fossem protegidas ou em perigo e também recolhi algumas  folhas coloridas de outono...

Depois das plantas secas fiz a montagem do quadro e fui colando as plantas com cuidado para não haver excesso de cola. O fundo foi papel, cartolina e até tecido. Depois da colagem deixei secar a cola algum tempo. Em seguida coloquei um vidro por cima e um livro para fazer peso. Dois dias depois estava pronto para ser emoldurado. Isolei a parte detrás com fita adesiva.
Os quadros duram anos e anos, tendo o cuidado de os manter numa parede que não seja húmida.
Se algum se estragar podemos sempre reciclar a moldura!









Com tanta planta seca podia fazer mais quadros mas para quê? Ainda ali tenho tantos que dá para oferecer...

 E não vou encher a casa com mais coisas!

A maioria destes quadros tem mais de vinte anos e em alguns já se nota  a passagem do tempo.





As plantas secas também foram utilizadas para fazer cartões de parabéns, capas de cadernos de papel reciclado que mandei encadernar, telhas decorativas... Já fiz isso tudo. Por agora não faço mais nada.

E colher plantas para secar, nunca mais. Há anos que não o faço.

As plantas ficam bem é onde estão! Nos campos e nos jardins. 


Quanto às listas telefónicas, vou selecionar as plantas que ainda lá estão e guardar meia dúzia de listas. 

O resto irá para a reciclagem.

Os quadros, um dia também terão que ter outro destino.

Mena


quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Tralhas III

 

III

Restos de tecidos

Sacos de pano


À medida que vamos dando volta ao sótão para destralhar, aparecem coisas que avivam memórias há muito guardadas.
Continuando a falar em restos de tecidos, lembro-me que a minha avó materna juntava todos os bocadinhos de tecidos de várias proveniências e fazia uns taleguinhos de vários tamanhos para guardar o pão, as moedas (o mais pequenino), as molas de madeira da roupa e até para ir às compras...
Também as tias do meu marido faziam sacos de pedaços de tecido, outros bordados...
Os mais sofisticados era usados para, quando saíam, levarem os seus pertences (lenço, leque ou o crochet).
Ainda tenho alguns desses talegos que guardo com carinho (apesar das marcas evidentes dos quase cem anos que já passaram por eles), juntamente com dois que me ofereceram há alguns anos.








Hoje há sacos de plástico ou de papel para tudo mas eu ainda sou do tempo em que ter um ou dois sacos de pano para o pão fazia parte do enxoval!!!!!!!!!




O tempo e as modas tudo levam e tudo trazem...
Hoje em dia,  nos restaurantes do Alentejo, os talegos feitos de retalhos de tecidos, voltam  a estar moda na decoração do espaço e nas mesas com o pão!
E os sacos de pano voltaram a servir para transportar as compras.
Ainda bem. Tenho alguns que comprei ou me ofereceram e dois que fiz com restos de pano cru, colando desenhos utilizando a técnica de decoupage (o do girassol e o das papoilas). 

Com tantos tecidos que tenho encontrado, podia fazer sacos de pano. 
Mas não preciso e não vou fazer mais coisas para encher a casa...
Ainda temos muito que destralhar!
Mena



quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Tralhas II

 II

Restos de tecidos

Colocámos na reciclagem, além de roupas, alguns sacos com restos de tecidos. Tinha-os guardado para algum uso posterior mas eram pedaços pequenos que quase não cheguei a utilizar.

Estes pedaços de tecidos sobraram dos vestidos e fatos que, durante muitos anos, mandei fazer na costureira (alguns dos quais ainda uso). 


Utilizei alguns destes restos de tecidos para fazer quadros para o quarto do meu filho e vestidos para as bonecas da minha filha (que os vestidos das bonecas eram caríssimos!). 
Isso foi há várias dezenas de anos.
Depois os quadros foram substuídos por posters dos super heróis da altura (Dartacão e os Três Mosqueteiros, Tartarugas Ninja e outros).
E os quadros lá foram para o sótão!
Ainda desceram e transitaram para o quarto da minha filha e acrescentei mais um da menina com borboletas mas, passado pouco tempo, foram outra vez recambiados para o sótão e lá estão há mais de trinta anos, uns pendurados outros guardados numa caixa.






Custa-me desfazer dos quadros.
Cada um deles servia para contar histórias que inventava na altura!
Lembro-me que alguns desenhos foram ampliados de revistas, outros inventei eu. 
Forrei o tecido com entretela de colar e depois foi só  recortar pelo molde de papel e compor o quadro, usando cola para  fixar os vários motivos. Finalmente foram emoldurarados...
Sei bem que hoje se pode comprar tudo feito nas lojas! Mas o carinho que pus nos quadros ou nos vestidos para as bonecas não se compra...
Os quadros estão ligados à primeira fase da infância do meu filho e da minha filha.

Olhei para eles há dias e  não ocupam assim tanto espaço. 
O tempo que me transformou em maior de sessenta  não afectou os quadros que estão ali iguais há quase quarenta anos!
Mas um dia terão que ir. Os quadros irão, os afectos ficam sempre. Para sempre!

Quanto aos  tecidos que nunca foram usados e estão em bom estado, vou oferecê-los a uma artesã  que sei que os vai utilizar nos seus trabalhos.
Mas nada garante que não encontrarei mais restos de tecidos...
Mena





quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Tralhas - Botões

I

Botões!

Às vezes pergunto-me como e para que juntei tanta tralha!

Lembro-me que quando era criança passava muito tempo com a minha avó materna e com a minha bisavó paterna.

Foi com elas que aprendi a guardar tudo porque podia fazer falta mais tarde: um frasco de vidro vazio, uns bocadinhos de tecido que tinham sobrado e eram bem enrolados numa trouxinha, uns restos de lã ou linha que ainda podiam dar jeito, meadas incompletas de linhas de bordar... Todos os botões que apareciam eram guardados num taleguinho de pano ou numa caixinha de lata que já tinha sido guardada para algum fim desconhecido e finalmente encontrava uso!

E foi assim que, há bem mais de meio século, noutro contexto e vivências, aprendi a guardar tudo porque podia fazer falta um dia...

E quando tive a minha casa, foi isso que fiz quase sem dar por isso!

Um destes dias estive a olhar para as caixas de botões que fui comprando e juntando com os que as tias me davam porque os achava bonitos, porque na altura ainda mandava fazer vestidos e casacos na costureira e tinha sempre botões de vários tamanhos, cores e feitios.

Também para os vestidos da minha filha e camisas do meu filho houve botões com fartura.





Juntei tanta tralha que os botões são o menos!

Já começámos a destralhar mas foi há pouco tempo. 

Demos muita roupa mais actual em boas condições, pusemos dezenas de sacos de roupa no contentor da loja social e no contentor da reciclagem mas vamos ter que recomeçar...

Este ano, finalmente libertei-me de rolos e rolos de restos de tecido que quardei e não  aproveitei para nada! Eram bocados grandes de tecidos coloridos que tinham sobrado dos vestidos e casacos e que na altura me pareceu que ainda iriam servir para alguma coisa... Mas quase nunca foram usados!

Mas os meus vestidos ainda ali estão quase todos! 

Este ano vesti alguns desses vestidos com mais de trinta anos e ainda me ficavam bem. 

Usa-se azul, cor-de-rosa, lilás ou verde? Tenho

Às riscas, quadrados ou bolinhas ? Também tenho

Com flores grandes ou pequenas? Também há um jardim completo...

A minha moda faço eu e há quatro anos que não compro roupa! E não vou comprar  tão depressa mesmo que, com setenta ou oitenta anos, ande a passear de vestido de flores e chapéu a condizer! 

Já dos sapatos não posso dizer o mesmo! Os pés crescem à medida que envelhecemos...

Mas de sapatos falamos outro dia que o assunto é sério e um verdadeiro desastre que começou quando eu devia ser centopeia e tinha umas duzias de pés para calçar!

Voltando aos botões, já ofereci muitos botões aos familiares e amigos e, ainda assim, há botões com fartura.

Alguns são bem bonitos e antigos, maiores de sessenta como eu.

Estão ali à espera de decidir o que vou fazer... Para já, vou dar-lhes uma arrumação por cores e tamanhos.

Já vi que se podem fazer trabalhos muito interessantes com botões mas não vou tirar os botões das caixas para fazer mais uma coisa para encher a casa...
Os botões que restaram ficam, por enquanto...


Mas vou ter que me libertar de centenas de coisas que acumulei durante meio século!

Já comecámos a destralhar o sótão pelas roupas mais actuais que não usamos e outras mesmo antigas (de há quarenta anos e  dez quilos atrás), caixas e caixinhas, listas telefónicas que usava para secar plantas, umas centenas de revistas XIS, do Publico, do Expresso... Da despensa já sairam caixas plásticas sem tampa, tampas sem caixa, garrafas e frascos vazios... Tudo o que é possivel vai para a reciclagem.

Mas vai levar tempo! 

E tempo é o que  já não nos sobra!

Mesmo que paremos o relógio, o tempo não pára!


Mena